Friday, February 11, 2005

O quê? Essa guria ainda não escreveu nada?? Mas ela não posta nada há quatro dias! Será que ela acha que temos obrigação de vir todos os dias para ver se ela escreveu alguma coisa ou não? Ela acha que eu não tenho mais nada para fazer?

Espero aqui, com minha conexão discada, o blog dela demora hoooras para abrir e quando finalmente carrega tudo, está a mesma porcaria de ontem. Que droga!

E ela quer que eu comente o post anterior? Não comento, não comento, não comento!! Enquanto ela não postar nada novo, recuso-me a comentar. Farei greve de comentários. Tudo bem, eu nunca comento mesmo, mas nem se comentasse eu comentaria. Porque ela não merece.

E por que é que eu continuo vindo aqui todos os dias? Se eu fosse ela, nem faria essa pergunta, posso mudar de idéia. É, eu não sei, mas continuo vindo mesmo assim. E olho todos os dias, para ver se há alguma novidade.

Se bem que o blog dela é pessoal e blogs pessoais são uma sub-categoria no mundo dos blogs. Imagino o mundo dos blogs. Um mundo imaginário onde milhares de páginas pessoais convivem de forma nem sempre harmoniosa. Todas são páginas pessoais, mas nem todas assumem isso.

Há os blogs pessoais e eles são a ralé do mundo blogueiro, entre essa ralé existe uma ralé ainda mais ralé, quase que a miséria intelectual de toda essa desgraça, que são os chamados blogs-fofos, com gifs piscantes, linguagem analfabetizada (coisinhaxxx como: "meus amiguinhuxxx comentaum nu meu bloguitxo"), ortografia tosca (quando existe), pontuação caótica, Hello Kitties espalhadas pela tela (ok, eu sei que você
gosta de Hello Kitty, mas ela é um ícone dos blogs fofos, já está contaminada) e borboletas perseguindo o cursor do mouse (ou estrelinhas, ou frases, ou qualquer outra coisa irritante do gênero...).

Os blogs fofos são felizes. São mesmo o povo mais feliz da blogolândia. Talvez porque os ignorantes sejam mais felizes, talvez porque dois neurônios sejam pouco para que eles tenham a compreensão de sua desgraça intelectual, ou talvez porque eles sejam felizes mesmo.

Na coluna do meio dessa ralé estão os blogs descritivos, aqueles que limitam-se a passar relatórios. Alguns confundem-se com os blogs fofos, a diferença é que eles têm um pouco mais de texto e um pouco menos de coisinhas piscantes. Eles são diários ambulantes.

Pouco acima deles (não muito, segundo alguns) estão os blogs pessoais já devidamente alfabetizados, como este. Esses são pessoais porque giram em torno do umbigo que os escreve, como se nada ou muito pouco houvesse no resto do mundo.

Portanto eu imagino que esses blogs caminhem pela blogolândia com o formato de um umbigo (os blogs-fofos têm o formato de uma Hello Kitty perseguida por borboletas), conversando com espelhos. Eles são bem eles. Estão sempre resolvendo seus problemas e externando suas crises. São uns chatos.

Na escalada social da Blogolândia existem aqueles blogs pessoais que não falam muito de quem os escreve, mas daquilo que rodeia o autor e fragmentos do mundo externo. São tímidos, mas são pessoais.

Não são jornalísticos, mas não querem se mostrar. Caminham pelas calçadas com um saco de pão na cabeça (e dois buraquinhos para os olhos).

Acima deles, a categoria "Blogs etéreos". Esses blogs pouco revelam sobre seus donos e só pessoas extremamente sensíveis conseguem decifrá-los. São absolutamente literários.

Poemas, contos, personagens...são expressão de arte do autor, andam pelas ruas flutuando, de olhos fechados. São, na verdade, uma categoria à parte.

Se esgueirando pelos becos, outra sub-categoria: os blogs jornalísticos. Eles se acham os descobridores da verdade (alguns são apenas espalhadores de mentiras), vivem relatando fatos e acontecimentos, destrinchando histórias, vivem entre o real e o fantástico, com uma lupa em uma mão e um bloco de anotações em outra.

Mais acima, a pseudo-elite que ninguém lê (ok, a rigor ninguém lê blog nenhum, no entanto os blogs da pseudo-elite são os que mais têm comentários): os blogs políticos.

Os de esquerda brigam com os de direita e todo mundo tem argumentos irrefutáveis e provas contundentes. Estou prestes a fazer um blog em cima do muro. O blog do centro. Aquele que acabou convencido pela esquerda e pela direita e acaba não tomando partido nenhum. Seria um blog um tanto quanto confuso e incoerente.

Os blogs políticos estão discutindo o tempo inteiro, carregando bandeiras e fotos provocativas.

A elite das elites não se comunica com ninguém, são os blogs intelectuais que ninguém conhece porque seus autores são intelectuais demais para ficar divulgando seus blogs. Que os encontrem pelo Google, ora essa! (Os blogs intelectuais vivem dizendo "ora essa" e outras expressões fossilizadas).

A escória da bloguidade é formada por blogs chamados de "assuntos diversos", aqueles com foto de mulher pelada, piadas de mau gosto e críticas a outros blogs.

Esses são olhados com desconfiança por outros blogs (os blogs fofos só os olham com desconfiança quando são alvos das críticas. E mesmo assim, carimbam "Inveja" e esquecem, continuam a cantarolar uma musiquinha cor-de-rosa qualquer).

Existem também os blogs temáticos, que andam em bandos e não se encaixam em nenhum outro grupo e que interagem entre si: os blogs grávidos (aqueles barrigudos), os portadores de transtorno alimentar, os de mamães, os religiosos e outros dos quais não me recordo no momento.

E é uma sociedade muito estranha, mas eles são felizes (exceto os blogs adolescentes profundamente depressivos...se bem que até eles são felizes, a seu modo, cultivando e alimentando sua infelicidade).

Às vezes acontecem de blogs de diferentes esferas se encontrarem em comentários e simpatizarem uns com os outros, não é raro (exceto no caso de blogs fofos).

Porém vejo uma vantagem nessa sociedade, que a faz complementar à sociedade em que vivem seus autores: a comunicação é mais fácil, mais completa.

Dificilmente você encontra um conhecido (ou desconhecido) na rua e presta atenção em um relato enoooorme sobre o primeiro jantar feito em casa ou sobre uma ruga encontrada entre os olhos, mas pode ler isso diariamente, se quiser, ou coisas semelhantes, de diversas pessoas, em vários blogs, por livre e espontânea vontada (eu espero). E ainda sai feliz. :)

Passamos sempre muito apressados pelas pessoas, pelas situações, por nós mesmos. Mal nos olhamos, mal conversamos, mal aprendemos. Por isso não diminuo o tamanho dos textos. A gente tem que aprender a saborear o tempo.

Tem que aprender que ler um bom texto longo não é gastar tempo, não é perder tempo, é saborear informações, é aprender, é descobrir uma nova forma de diversão, em certos casos.

Uma das coisas mais legais que já vi acontecer foi quando, no auge do Diário de um Lunático eu, leitora compulsiva daquele maluco misterioso criativo e talentoso, me espantei ao ver diversos comentários de pessoas diferentes, em dias diferentes dizendo mais ou menos a mesma coisa, que não estavam acostumados a ler textos longos, mas que assim que começaram a ler os posts, não conseguiram mais parar.

Elas estavam entusiasmadas, impressionadas com elas mesmas, porque não se achavam capazes de ler nada com mais de cinco linhas.

Tudo bem que sempre há um ou outro que reclama quando o texto é maior e diz que não leu pelo simples fato de ele ser maior, mas é compreensível, sempre tem quem esteja conformado com sua própria ignorância.

Mas esses leitores que eu via externando seu espanto diante do fato de terem lido um texto enorme e gostado muito já valem qualquer sacrifício.

Afinal de contas, em um país que lê tão pouco, qualquer estímulo à leitura pode estar salvando algum cérebro. Tenho certeza de que aquelas pessoas já não têm mais tanto medo ao ver um texto maior.

Não que eu queira com isso justificar um post tão grande. De qualquer forma, sempre se pode ler em dez vezes sem juros :) E que ninguém se sinta ofendido pela descrição da blogolândia, tenhamos senso de humor, por favor.


E finalmente algum texto. Mas precisava ser desse tamanho? Caramba, a guria acumula palavras durante a semana inteira e gasta tudo de uma vez?? Ela acha que eu não tenho nada para fazer no final de semana? E nem revisou o texto, publicou o troço com um monte de erro de digitação! Que falta de respeito com o leitor.

Pensarei seriamente se volto amanhã para ver se tem algum post. Ao menos ela não ilustrou o de hoje com fotos suas com aquele narizinho empinado. Talvez assim o texto fique um pouco menos arrogante.

Se bem que amanhã é domingo, ela quase não posta no domingo. Porque tem que ficar com o marido, em casa, paparicando. Mas segunda....pelo menos as respostas dos comentários...será que ela posta na segunda?



PS: Eu não me acho tanto assim. Duvido muito que algum leitor faça tantas perguntas enquanto espia o blog, possivelmente seja mais algo do tipo "vamos ver se ela escreveu. Hum. Nenhum post novo. Será que alguém me mandou e-mail?" e sai da página.

E quanto tem post: "Ah, texto novo". E lê. Quando muito faz algum comentário. A maioria sai sem dizer o que achou. Talvez prefira que eu nem saiba. Mas eu não poderia colocar essas coisas em um post.

Fiquemos com o insuportável leitor imaginário que abre e fecha este post de forma absolutamente antipática. Aliás, este texto está completamente antipático. E sim, eu posto na segunda. :)