Pequenos detalhes
Na casa da minha mãe existem formiguinhas bem pequenas, quase transparentes e muito, mas muito rápidas. Elas são tão rápidas que às vezes chego a duvidar de tê-las visto. Não sou grande conhecedora (nem pequena conhecedora) de formigas e não sei a qual espécie pertencem, mas estranho o fato de elas serem tão apressadas. Parecem viver em um estresse desesperado, como se a qualquer momento fosse acontecer uma catástrofe. Deve ser cansativo viver assim.
Penso que talvez essas sejam as únicas formigas com noção aproximada de sua situação em nosso mundo, porque elas estão em desvantagem. Em um mundo dominado pelos seres humanos, criaturas sem respeito nem por si próprias, quanto mais por seres diferentes, qualquer indivíduo não-humano tem sérias razões para se preocupar. Talvez essas formigas minúsculas já tenham assimilado o perigo de um mundo cheio de água, de veneno, de animais gigantescos, produtos de limpeza assassinos e mais uma porção de coisas assustadoras que elas podem não entender, mas sabem que são perigosas.
Elas vivem em constante estado de alerta e é bom que tenham um sistema circulatório bem resumido, não conheço casos de formigas com infarto agudo do miocárdio por estresse até porque não me consta que elas tenham exatamente um miocárdio. Têm um longo vaso sanguíneo por onde circula da hemolinfa, que é certamente menos problemática do que nosso sangue, e o coraçãozinho simples bombeia o sangue através de movimentos peristálticos. Pouco espaço para um ataque cardíaco, ou não teríamos mais formigas nesta casa.
Só não acredito naquela história de o cérebro delas ser primitivo e, portanto, desprovido de qualquer capacidade de raciocínio. Como podemos saber? Um organismo que é capaz de se manter com vários sistemas tão simples não pode ser comparado ao nosso, que precisa de uma porção de coisinhas complexas para funcionar mais ou menos. Acredito que o pouco que eles têm desempenhe uma função bem maior do que o muito que temos, proporcionalmente. Não posso julgar um organismo diferente do que o meu baseando-me nos parâmetros do meu próprio organismo.
Pela minha observação, é impossível que as formigas não sejam capazes de formular raciocínios maiores do que seus cérebros. Não existem instintos e hormônios capazes de explicar toda a organização, comunicação e capacidade de resolução de problemas daquele povinho, mesmo essas neuróticas que apareceram aqui na casa da minha mãe. Na verdade o erro do ser humano é se julgar superior aos outros animais deste planeta. Como podemos nos julgar superiores a quem não conhecemos de verdade?
Não somos capazes de nos comunicar com as outras espécies que dividem o planeta conosco e realmente queremos nos comunicar com espécies que teoricamente habitam outros planetas? Se é que seres extraterrestres realmente existem e são inteligentes, duvido muito que se interessem em se comunicar com seres tão primitivos quanto os humanos, que não são capazes de entender e se comunicar com os outros terráqueos. Pelo contrário, sentem-se tão superiores que os exploram, matam, maltratam... graças a Deus temos as exceções, os seres humanos que realmente têm noção de seu papel neste mundo e fazem o possível para respeitar formas de vida diferente da que vêem no espelho. Se eu sou capaz de respeitar seres diferentes de mim, sou mais capaz ainda de respeitar meus iguais (tudo isso para defender as formigas da acusação de que não são seres pensantes).
As formigas só não dominaram o mundo ainda porque têm mais o que fazer. Elas sabem que não vale a pena ficar brigando e se descabelando (até porque elas não têm cabelo, no máximo ficariam se "desantenando", o que não lhes seria muito agradável) por um pseudo-poder mundial, até porque o mundo para elas é muito maior do que é para nós, daria um trabalhão dominar tudo. E elas não perdem tempo com...digamos....coisas grandes, pois sabem o que é bobagem.
Mas ainda não entendo a razão de ver, vez ou outra, uma formiguinha isolada, correndo alucinada de um lado para outro, em ziguezague, histérica, e depois desaparecer, sei lá onde. Talvez ela se esconda atrás da porta, ofegante, mas satisfeita ao ver que me deixou intrigada. Estou aqui pensando que se trata de uma porção de formigas, mas deve ser a mesma, brincando de formiguinha atômica, para se divertir com o ponto de interrogação que cria em minha cabeça. Ela tem senso de humor. Quando alguém me disser que eu tenho cérebro de formiga, me sentirei profundamente elogiada.
Penso que talvez essas sejam as únicas formigas com noção aproximada de sua situação em nosso mundo, porque elas estão em desvantagem. Em um mundo dominado pelos seres humanos, criaturas sem respeito nem por si próprias, quanto mais por seres diferentes, qualquer indivíduo não-humano tem sérias razões para se preocupar. Talvez essas formigas minúsculas já tenham assimilado o perigo de um mundo cheio de água, de veneno, de animais gigantescos, produtos de limpeza assassinos e mais uma porção de coisas assustadoras que elas podem não entender, mas sabem que são perigosas.
Elas vivem em constante estado de alerta e é bom que tenham um sistema circulatório bem resumido, não conheço casos de formigas com infarto agudo do miocárdio por estresse até porque não me consta que elas tenham exatamente um miocárdio. Têm um longo vaso sanguíneo por onde circula da hemolinfa, que é certamente menos problemática do que nosso sangue, e o coraçãozinho simples bombeia o sangue através de movimentos peristálticos. Pouco espaço para um ataque cardíaco, ou não teríamos mais formigas nesta casa.
Só não acredito naquela história de o cérebro delas ser primitivo e, portanto, desprovido de qualquer capacidade de raciocínio. Como podemos saber? Um organismo que é capaz de se manter com vários sistemas tão simples não pode ser comparado ao nosso, que precisa de uma porção de coisinhas complexas para funcionar mais ou menos. Acredito que o pouco que eles têm desempenhe uma função bem maior do que o muito que temos, proporcionalmente. Não posso julgar um organismo diferente do que o meu baseando-me nos parâmetros do meu próprio organismo.
Pela minha observação, é impossível que as formigas não sejam capazes de formular raciocínios maiores do que seus cérebros. Não existem instintos e hormônios capazes de explicar toda a organização, comunicação e capacidade de resolução de problemas daquele povinho, mesmo essas neuróticas que apareceram aqui na casa da minha mãe. Na verdade o erro do ser humano é se julgar superior aos outros animais deste planeta. Como podemos nos julgar superiores a quem não conhecemos de verdade?
Não somos capazes de nos comunicar com as outras espécies que dividem o planeta conosco e realmente queremos nos comunicar com espécies que teoricamente habitam outros planetas? Se é que seres extraterrestres realmente existem e são inteligentes, duvido muito que se interessem em se comunicar com seres tão primitivos quanto os humanos, que não são capazes de entender e se comunicar com os outros terráqueos. Pelo contrário, sentem-se tão superiores que os exploram, matam, maltratam... graças a Deus temos as exceções, os seres humanos que realmente têm noção de seu papel neste mundo e fazem o possível para respeitar formas de vida diferente da que vêem no espelho. Se eu sou capaz de respeitar seres diferentes de mim, sou mais capaz ainda de respeitar meus iguais (tudo isso para defender as formigas da acusação de que não são seres pensantes).
As formigas só não dominaram o mundo ainda porque têm mais o que fazer. Elas sabem que não vale a pena ficar brigando e se descabelando (até porque elas não têm cabelo, no máximo ficariam se "desantenando", o que não lhes seria muito agradável) por um pseudo-poder mundial, até porque o mundo para elas é muito maior do que é para nós, daria um trabalhão dominar tudo. E elas não perdem tempo com...digamos....coisas grandes, pois sabem o que é bobagem.
Mas ainda não entendo a razão de ver, vez ou outra, uma formiguinha isolada, correndo alucinada de um lado para outro, em ziguezague, histérica, e depois desaparecer, sei lá onde. Talvez ela se esconda atrás da porta, ofegante, mas satisfeita ao ver que me deixou intrigada. Estou aqui pensando que se trata de uma porção de formigas, mas deve ser a mesma, brincando de formiguinha atômica, para se divertir com o ponto de interrogação que cria em minha cabeça. Ela tem senso de humor. Quando alguém me disser que eu tenho cérebro de formiga, me sentirei profundamente elogiada.

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