Em tratamento
Pensei em mudar novamente o nome e o layout do blog, mas estou com preguiça. Quando estiver em Porto Alegre cuido disso, por enquanto deixo assim como está.
Tenho crises de fibromialgia quando fico muito tempo sem escrever, as letras de fôrma se acumulam no cérebro e sem ter para onde escoar, caem na corrente sanguínea e se fincam nos músculos, causando dores enormes e talvez até desencadeando um processo inflamatório, que caracterizaria alguma outra doença, ainda desconhecida da medicina. As palavras acumuladas se desgrudam umas das outras levando tiras de tecido do córtex, causando pequenas lesões que demoram a cicatrizar e trazem um desequilíbrio no sistema imunológico. E não, eu não sou dramática.
Neste momento tem uma letra A cravada no trapézio médio, outras duas cravadas nos deltóides, um M e três F em cada bíceps. Ontem apareceu um L, um E e até um Y espalhados pelo grande dorsal e nos quadríceps. Não consigo juntar tudo até formar algum texto, pois as letras arredondas, como "O", "D", "C" e algumas com arestas menos óbvias não ficam cravadas em lugar nenhum, apenas circulam pelo organismo, dificultando a circulação sanguínea, e não sei onde estão. O único jeito é voltar a escrever, para retomar o fluxo e fazer com que não haja mais acúmulo de letras soltas na corrente sanguínea. Aos poucos o próprio organismo trata de eliminar o excedente. O importante é me fortalecer para ajudar no processo de recuperação e evitar a obstrução do ducto literário daqui para diante. Não posso me dar ao luxo de ficar tanto tempo sem escrever, pelo bem de minha saúde.
Como ontem já retomei o hábito de escrever, a maior parte daquelas consoantes pontudas que estavam no trapézio superior, bíceps e deltóides antes de ontem já não está mais aqui (leia bem: a maior parte não está mais aqui). Esses dias inventei de ler o "Guia prático do português correto", do Claudio Moreno, e quase morri. Eu já estava intoxicada com esse monte de letrinha, não tinha condições de receber mais informação alguma. Fiquei alguns dias sem ler, até perceber que havia algo de muito, muito errado. Antes de chamar a ambulância resolvi me esforçar, pegar uma caneta e, a despeito da dor muscular e da sensação de atropelamento por um rolo compressor, rabisquei alguma coisa em linguagem compreensível. O alívio foi imediato e hoje, finalmente, consegui me sentar ao computador para digitar alguma coisa.
Voltarei a escrever com frequência. Isso certamente seria uma recomendação médica, caso algum médico conhecesse, levasse a sério e estudasse essa estranha e violenta síndrome da qual sofro horrivelmente. Na verdade, seria a única coisa que ele poderia me recomendar, além de doses maciças de leitura suave, desenhos despretensiosos, atividade física moderada, bons hábitos de sono, ingestão de líquidos e outras atividades relaxantes, que ajudam na eliminação das letras encravadas.
Sinceramente acredito que não tenha sobrado ninguém aqui para ler todos os textos que serão publicados nos próximos dias. Mas eles continuarão aqui, caso alguém tenha interesse. O importante é que, com ou sem leitores, eu serei obrigada a produzir.
Tenho crises de fibromialgia quando fico muito tempo sem escrever, as letras de fôrma se acumulam no cérebro e sem ter para onde escoar, caem na corrente sanguínea e se fincam nos músculos, causando dores enormes e talvez até desencadeando um processo inflamatório, que caracterizaria alguma outra doença, ainda desconhecida da medicina. As palavras acumuladas se desgrudam umas das outras levando tiras de tecido do córtex, causando pequenas lesões que demoram a cicatrizar e trazem um desequilíbrio no sistema imunológico. E não, eu não sou dramática.
Neste momento tem uma letra A cravada no trapézio médio, outras duas cravadas nos deltóides, um M e três F em cada bíceps. Ontem apareceu um L, um E e até um Y espalhados pelo grande dorsal e nos quadríceps. Não consigo juntar tudo até formar algum texto, pois as letras arredondas, como "O", "D", "C" e algumas com arestas menos óbvias não ficam cravadas em lugar nenhum, apenas circulam pelo organismo, dificultando a circulação sanguínea, e não sei onde estão. O único jeito é voltar a escrever, para retomar o fluxo e fazer com que não haja mais acúmulo de letras soltas na corrente sanguínea. Aos poucos o próprio organismo trata de eliminar o excedente. O importante é me fortalecer para ajudar no processo de recuperação e evitar a obstrução do ducto literário daqui para diante. Não posso me dar ao luxo de ficar tanto tempo sem escrever, pelo bem de minha saúde.
Como ontem já retomei o hábito de escrever, a maior parte daquelas consoantes pontudas que estavam no trapézio superior, bíceps e deltóides antes de ontem já não está mais aqui (leia bem: a maior parte não está mais aqui). Esses dias inventei de ler o "Guia prático do português correto", do Claudio Moreno, e quase morri. Eu já estava intoxicada com esse monte de letrinha, não tinha condições de receber mais informação alguma. Fiquei alguns dias sem ler, até perceber que havia algo de muito, muito errado. Antes de chamar a ambulância resolvi me esforçar, pegar uma caneta e, a despeito da dor muscular e da sensação de atropelamento por um rolo compressor, rabisquei alguma coisa em linguagem compreensível. O alívio foi imediato e hoje, finalmente, consegui me sentar ao computador para digitar alguma coisa.
Voltarei a escrever com frequência. Isso certamente seria uma recomendação médica, caso algum médico conhecesse, levasse a sério e estudasse essa estranha e violenta síndrome da qual sofro horrivelmente. Na verdade, seria a única coisa que ele poderia me recomendar, além de doses maciças de leitura suave, desenhos despretensiosos, atividade física moderada, bons hábitos de sono, ingestão de líquidos e outras atividades relaxantes, que ajudam na eliminação das letras encravadas.
Sinceramente acredito que não tenha sobrado ninguém aqui para ler todos os textos que serão publicados nos próximos dias. Mas eles continuarão aqui, caso alguém tenha interesse. O importante é que, com ou sem leitores, eu serei obrigada a produzir.

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