Navegando em mousse de chocolate
Há exatos quatro anos tive um dos piores dias da minha vida. Não foi o pior dia porque depois a vida me mostrou que poderia ser um pouquinho mais cruel do que eu imaginava. Nada, porém, que me tirasse a esperança e a eterna mania de ver que os dias bons são mais numerosos do que os dias maus. E que sobrevivemos, vitoriosos (nem que seja só pelo fato de termos sobrevivido), aos piores dias.
Estranhamente, costumamos nos concentrar bem mais nas coisas ruins do que nas coisas boas, mesmo que estas sejam mais sólidas do que aquelas. Hoje tenho a real consciência do tamanho dos meus problemas em relação ao resto da minha vida, em relação aos problemas dos outros, em relação ao mundo e à eles mesmos, por isso acho ridículo sequer pensar em um momento que seja de depressão. Não tenho esse direito. Ninguém tem.
Costumo dizer que nasci velha, nunca tive tanta certeza disso quanto agora. O mais importante, porém, é saber se divertir mesmo vendo toda a fatalidade de estar aqui, neste planeta maluco, cercados de gente doida, tropeçando em pessoas burras em postos altos quase todos os dias. Paralelamente a essa triste realidade, alegrias e percalços colorem nosso micro-cosmo. Eu, aqui, em meu pequeno dia-a-dia, escrevendo quase sempre como se o mundo girasse em torno do meu umbigo, com a plena convicção de que não gira coisa nenhuma, mas gostando de fingir que gira, de vez em quando, porque nada, absolutamente nada é completamente real neste planeta.
Existe não um abismo, mas pequenas valas entre o modo como escrevo para que os outros leiam e a forma que escrevo para eu mesma ler. Hoje é um daqueles estranhos dias em que escrevo para os outros como se estivesse escrevendo para mim. Talvez por isso você não esteja entendendo nada, talvez por isso mesmo esteja entendendo tão bem. Mas me sinto bastante à vontade quando escrevo assim, sem a menor pretensão de ser entendida. Porque é assim que sou e finalmente, neste parágrafo, transformo o micro-cosmo em centro do universo e finjo que meu umbigo é tudo o que importa ao digitar.
Não se engane, eu não tenho a menor pretensão de chegar a algum lugar com essa conversa e não pense que ao chegar ao final do texto você vai entender algum segredo oculto sobre a razão de eu ter ficado tantos dias sem dar o ar da mnha graça. Porque se você quer saber o motivo, ele é bem simples. Mas eu não estou nem um pouco interessada em fazer "querido diário" por aqui. O motivo faz parte do micro-cosmo, do dia-a-dia, da vida, do tempo, aquelas coisas que permeiam nossa existência e não são lá muito solucionáveis.
Estranho como a gente começa a escrever sobre o nada e de repente, está falando sobre alguma coisa. Sobre coisas concretas, em vez de devaneios inúteis. É estranho como o micro-cosmo nos suga para seus porquês, quandos e ondes enquanto tentamos navegar em mousse de chocolate (porque eu não gosto de maionese). Se olharmos além do micro-cosmo, muito provavelmente ficaremos paralisados diante do tamanho das coisas insolucionáveis, fatalidades e absurdos do macro-cosmo que mal enxergamos.
No entanto, se é isso o que temos, nada mais correto do que buscar as melhores coisas do nosso mundinho, os pequenos e maravilhosos detalhes que fazem com que sejamos gratos por viver, ainda que por alguns momentos. Aos poucos nos apegamos tanto às coisas boas que a torta ordem natural das coisas se inverte: os momentos bons parecem, aos nossos olhos, maiores e mais preciosos do que os ruins. Porque tudo depende de como escolhemos enxergar. E então os problemas, os dias ruins, se mostram ser o que realmente são: pequenos desníveis e buracos na estrada, dos quais nos desviamos ou até mesmo passamos por cima, quando necessário.
Então, mesmo sendo hoje o aniversário de um dos piores dias da minha vida, também é o aniversário de um dos melhores dias da minha vida. E além de tudo, ele mesmo é um dos melhores dias da minha vida, como todos os outros devem ser. Se for ruim, é por acidente. A natureza dos dias é ser dos melhores. E eu ando parecendo uma mistura de livro de auto-ajuda com uma centrifugação de ficcção científica e folheto esotérico. Urgh. Fora a ficção científica, não gosto de nenhum dos outros itens.
Tudo se resume em resignação. Se não dá para alterar o macro, se não existe como mudar o fato de sermos poeirinhas no meio do nada, olhemos para este mundo de umbigos buscando em nossos próprios uma catarse. Talvez seja isso o que eu faça aqui. Talvez seja disso que eu esteja sentindo tanta falta.
Há exatos quatro anos tive um dos piores dias da minha vida. Não foi o pior dia porque depois a vida me mostrou que poderia ser um pouquinho mais cruel do que eu imaginava. Nada, porém, que me tirasse a esperança e a eterna mania de ver que os dias bons são mais numerosos do que os dias maus. E que sobrevivemos, vitoriosos (nem que seja só pelo fato de termos sobrevivido), aos piores dias.
Estranhamente, costumamos nos concentrar bem mais nas coisas ruins do que nas coisas boas, mesmo que estas sejam mais sólidas do que aquelas. Hoje tenho a real consciência do tamanho dos meus problemas em relação ao resto da minha vida, em relação aos problemas dos outros, em relação ao mundo e à eles mesmos, por isso acho ridículo sequer pensar em um momento que seja de depressão. Não tenho esse direito. Ninguém tem.
Costumo dizer que nasci velha, nunca tive tanta certeza disso quanto agora. O mais importante, porém, é saber se divertir mesmo vendo toda a fatalidade de estar aqui, neste planeta maluco, cercados de gente doida, tropeçando em pessoas burras em postos altos quase todos os dias. Paralelamente a essa triste realidade, alegrias e percalços colorem nosso micro-cosmo. Eu, aqui, em meu pequeno dia-a-dia, escrevendo quase sempre como se o mundo girasse em torno do meu umbigo, com a plena convicção de que não gira coisa nenhuma, mas gostando de fingir que gira, de vez em quando, porque nada, absolutamente nada é completamente real neste planeta.
Existe não um abismo, mas pequenas valas entre o modo como escrevo para que os outros leiam e a forma que escrevo para eu mesma ler. Hoje é um daqueles estranhos dias em que escrevo para os outros como se estivesse escrevendo para mim. Talvez por isso você não esteja entendendo nada, talvez por isso mesmo esteja entendendo tão bem. Mas me sinto bastante à vontade quando escrevo assim, sem a menor pretensão de ser entendida. Porque é assim que sou e finalmente, neste parágrafo, transformo o micro-cosmo em centro do universo e finjo que meu umbigo é tudo o que importa ao digitar.
Não se engane, eu não tenho a menor pretensão de chegar a algum lugar com essa conversa e não pense que ao chegar ao final do texto você vai entender algum segredo oculto sobre a razão de eu ter ficado tantos dias sem dar o ar da mnha graça. Porque se você quer saber o motivo, ele é bem simples. Mas eu não estou nem um pouco interessada em fazer "querido diário" por aqui. O motivo faz parte do micro-cosmo, do dia-a-dia, da vida, do tempo, aquelas coisas que permeiam nossa existência e não são lá muito solucionáveis.
Estranho como a gente começa a escrever sobre o nada e de repente, está falando sobre alguma coisa. Sobre coisas concretas, em vez de devaneios inúteis. É estranho como o micro-cosmo nos suga para seus porquês, quandos e ondes enquanto tentamos navegar em mousse de chocolate (porque eu não gosto de maionese). Se olharmos além do micro-cosmo, muito provavelmente ficaremos paralisados diante do tamanho das coisas insolucionáveis, fatalidades e absurdos do macro-cosmo que mal enxergamos.
No entanto, se é isso o que temos, nada mais correto do que buscar as melhores coisas do nosso mundinho, os pequenos e maravilhosos detalhes que fazem com que sejamos gratos por viver, ainda que por alguns momentos. Aos poucos nos apegamos tanto às coisas boas que a torta ordem natural das coisas se inverte: os momentos bons parecem, aos nossos olhos, maiores e mais preciosos do que os ruins. Porque tudo depende de como escolhemos enxergar. E então os problemas, os dias ruins, se mostram ser o que realmente são: pequenos desníveis e buracos na estrada, dos quais nos desviamos ou até mesmo passamos por cima, quando necessário.
Então, mesmo sendo hoje o aniversário de um dos piores dias da minha vida, também é o aniversário de um dos melhores dias da minha vida. E além de tudo, ele mesmo é um dos melhores dias da minha vida, como todos os outros devem ser. Se for ruim, é por acidente. A natureza dos dias é ser dos melhores. E eu ando parecendo uma mistura de livro de auto-ajuda com uma centrifugação de ficcção científica e folheto esotérico. Urgh. Fora a ficção científica, não gosto de nenhum dos outros itens.
Tudo se resume em resignação. Se não dá para alterar o macro, se não existe como mudar o fato de sermos poeirinhas no meio do nada, olhemos para este mundo de umbigos buscando em nossos próprios uma catarse. Talvez seja isso o que eu faça aqui. Talvez seja disso que eu esteja sentindo tanta falta.

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