Aí eu fico um tempão sem escrever para ninguém, sem escrever em lugar nenhum e acumulando mensagens na caixa de entrada e no scrapbook. Depois começo a reclamar quando ninguém mais me escreve. Oras, ninguém mais me escreve porque já escreveu, pura e simplesmente.
Quem me conhece há menos tempo deve se sentir meio estranho ao receber, depois de meses, resposta de e-mail que nem lembrava ter escrito. Pois é, o tempo, para mim, é outro. Sou amicíssima de gente que fica séculos sem receber notícias minhas e quando nos encontramos, parece que nos vimos ontem.
Não é falta de interesse, não é falta de gostar, é enrolação, mesmo. Esquisito, quando a gente vê, já se foi o dia, já passou a semana, está quase terminando o mês, o ano, dois anos... O tempo voa, corre, pula, foge, escorrega, é estranho. Eu me sinto meio fora desse sistema, como se não fosse exatamente uma pessoa. Sou uma idéia, um pensamento, um vaporzinho de alguma coisa que achei que seria interessante ser. E vivo meio etérea, pouco material, mais pensando, observando, do que propriamente inserida no meio da coisa toda.
Acho tudo esquisito. Tudo. O tempo é esquisito, os relacionamentos são esquisitos, o ser humano é esquisito, o mundo é esquisito. Se você parar para pensar, verá que tudo é esquisito, mesmo. Nada tem, realmente, muito sentido. As coisas mais reais são aquelas que acostumamos a ver como subjetivas e as mais absurdas são as que achamos importantes e palpáveis.
Nem eu tenho saco para esse tipo de texto, por isso não costumo obrigar meus pobres, abandonados e torturados leitores a ler essas coisas. No entanto, tenho estado meio desse jeito ultimamente, sem muito compromisso com estrutura textual (como se algum dia já tivesse tido isso), sem muita preocupação com um tema específico (idem ao comentário anterior). Retomar o ritmo de postagem, com textos que talvez interessem a alguém, talvez não. Com sorte, terei algum leitor para o que vier a escrever.
Como sempre e como nunca, sou uma incubadora de idéias mirabolantes, porém, desta vez, com um pé e meio no chão. As coisas estão acontecendo de uma maneira fantástica, e acredito que em breve terei ótimas novidades para contar. Não adianto nada, porque de nada adianta adiantar, como já disse algumas vezes. Prefiro já chegar com o almoço pronto do que viver ameaçando a comida.
Voltando ao assunto, estou respondendo aos amigos, conhecidos e desconhecidos que têm me escrito, mas tudo bem lentamente, porque não gosto de escrever de qualquer jeito, responder por responder. Sei que tenho de ser mais organizada, e tenho lido muito a respeito. Em uma reportagem que vi dia desses em uma revista, li, pela milésima vez, o mandamento: "responderás aos vossos e-mails assim que os receberdes" Porém, eis algo que me soa virtualmente impossível.
Ou não leio os e-mails, para evitar protelar a resposta (coisa que já tentei fazer, mas que também não funcionou), ou leio e respondo de qualquer jeito, apressadamente (opção que não me agrada nem um pouco), ou simplesmente não respondo e deixo para depois. Isso é crime, e nem sempre funciona, porque, como eu já disse, os dias passam, transformam-se em meses, em anos, e e-mails perdem a validade, amigos se chateiam, conhecidos desaparecem, alguns deletam as contas e desaparecem no mar de interrogações, gerando relacionamentos virtuais natimortos, pelos quais guardo eterno e indissolúvel luto.
Eu vivo meio lenta demais por um lado, agitada demais por outro, sou uma criatura bastante estranha, porque vivo lenta e agitada ao mesmo tempo. Exatamente ao mesmo tempo, e não sei dizer o que se sobressai mais, pois consigo ver os dois pólos concomitantemente, com a mesma intensidade e objetivos diferentes.
Nunca disse que eu não era estranha, nunca disse que eu não tinha sido construída como personagem, uma idéia solta entre o chão e o teto, sem tocar nenhum dos dois, gostando de flutuar desse jeito, como quem perdeu um parafuso no transporte. Nunca disse que tinha todos os parafusos.
Particularmente, estou gostando da vida. Dia desses desci uns cadernos da época em que eu não gostava de viver. Que pessoa chata, repetitiva e limitada encontrei ali. Virava as páginas esperando "menina, quando você vai descobrir que isso não é nada? Quando vai descobrir que não precisa ficar presa a essas coisas?" Fechei o caderno, hesitei discretamente e joguei no lixo. Sim, eu joguei o lixo.
Tenho uma dificuldade enorme de jogar coisas no lixo e levar o lixo para longe. Tenho senso histórico. Tudo merece ser guardado, o mundo é uma grande gaveta, um grande museu. No entanto, acreditem, aquilo não tinha valor algum. Nem histórico, nem literário, era um amontoado de lamúrias exatamente igual ao amontoado de lamúrias que encontrei em mais uns quinze cadernos da mesma época. Lamúrias repetidas. Chato, muito chato. Cansativo. Se nem eu, que escrevi aquilo, me interessei em ler, a quem aquilo serviria?
Inútil, completamente inútil. "Aprenda a descartar", dizia a reportagem sobre organização. Outra tarefa difícil, porém, extremamente necessária. Ainda mais neste momento, tendo que me livrar de uma pilha assustadora de cadernos assustadores aos quais me agarrei durante muito tempo. Achava que eles eram parte de mim. Nenhum problema em me jogar fora dessa forma. Prefiro mesmo a reciclagem.
Me divirto, de certa forma, vendo algumas coisas que não veria daquele lugar em que costumava estar quando achava que meus parafusos estavam devidamente parafusados em seus lugares. Não precisam estar. Subo um pouco, sem prestar muita atenção: as acerolas, bolinhas vermelhas enfeitando aquela arvorezinha frágil no meio da varanda. Hoje estão aqui, amanhã, espalham-se no chão. Desperdício.
Me divirto com pouca coisa, ou com nenhuma. Lembrando daquela senhora de 94 anos que mora na Spaan, em Porto Alegre, que me disse, logo que nos conhecemos: "Não leve a vida a sério demais, a vida não foi feita para ser levada a sério. A gente faz o que tem de fazer, tem responsabilidade, ajuda aos outros, mas o mais importante é ser feliz. Brincar, rir, buscar fazer o que a gente gosta e não fazer mal a ninguém". É o segredo, certamente, de sua vivacidade, de seu bom condicionamento físico, de sua ótima saúde, de sua pele firme, sem rugas, de aparentar trinta anos a menos.
Não leve nada a sério. Isso não significa ser irresponsável, não significa deixar de ter credibilidade, é apenas uma forma de garantir maior qualidade de vida. Sem tocar o teto, nem o chão.
Quem me conhece há menos tempo deve se sentir meio estranho ao receber, depois de meses, resposta de e-mail que nem lembrava ter escrito. Pois é, o tempo, para mim, é outro. Sou amicíssima de gente que fica séculos sem receber notícias minhas e quando nos encontramos, parece que nos vimos ontem.
Não é falta de interesse, não é falta de gostar, é enrolação, mesmo. Esquisito, quando a gente vê, já se foi o dia, já passou a semana, está quase terminando o mês, o ano, dois anos... O tempo voa, corre, pula, foge, escorrega, é estranho. Eu me sinto meio fora desse sistema, como se não fosse exatamente uma pessoa. Sou uma idéia, um pensamento, um vaporzinho de alguma coisa que achei que seria interessante ser. E vivo meio etérea, pouco material, mais pensando, observando, do que propriamente inserida no meio da coisa toda.
Acho tudo esquisito. Tudo. O tempo é esquisito, os relacionamentos são esquisitos, o ser humano é esquisito, o mundo é esquisito. Se você parar para pensar, verá que tudo é esquisito, mesmo. Nada tem, realmente, muito sentido. As coisas mais reais são aquelas que acostumamos a ver como subjetivas e as mais absurdas são as que achamos importantes e palpáveis.
Nem eu tenho saco para esse tipo de texto, por isso não costumo obrigar meus pobres, abandonados e torturados leitores a ler essas coisas. No entanto, tenho estado meio desse jeito ultimamente, sem muito compromisso com estrutura textual (como se algum dia já tivesse tido isso), sem muita preocupação com um tema específico (idem ao comentário anterior). Retomar o ritmo de postagem, com textos que talvez interessem a alguém, talvez não. Com sorte, terei algum leitor para o que vier a escrever.
Como sempre e como nunca, sou uma incubadora de idéias mirabolantes, porém, desta vez, com um pé e meio no chão. As coisas estão acontecendo de uma maneira fantástica, e acredito que em breve terei ótimas novidades para contar. Não adianto nada, porque de nada adianta adiantar, como já disse algumas vezes. Prefiro já chegar com o almoço pronto do que viver ameaçando a comida.
Voltando ao assunto, estou respondendo aos amigos, conhecidos e desconhecidos que têm me escrito, mas tudo bem lentamente, porque não gosto de escrever de qualquer jeito, responder por responder. Sei que tenho de ser mais organizada, e tenho lido muito a respeito. Em uma reportagem que vi dia desses em uma revista, li, pela milésima vez, o mandamento: "responderás aos vossos e-mails assim que os receberdes" Porém, eis algo que me soa virtualmente impossível.
Ou não leio os e-mails, para evitar protelar a resposta (coisa que já tentei fazer, mas que também não funcionou), ou leio e respondo de qualquer jeito, apressadamente (opção que não me agrada nem um pouco), ou simplesmente não respondo e deixo para depois. Isso é crime, e nem sempre funciona, porque, como eu já disse, os dias passam, transformam-se em meses, em anos, e e-mails perdem a validade, amigos se chateiam, conhecidos desaparecem, alguns deletam as contas e desaparecem no mar de interrogações, gerando relacionamentos virtuais natimortos, pelos quais guardo eterno e indissolúvel luto.
Eu vivo meio lenta demais por um lado, agitada demais por outro, sou uma criatura bastante estranha, porque vivo lenta e agitada ao mesmo tempo. Exatamente ao mesmo tempo, e não sei dizer o que se sobressai mais, pois consigo ver os dois pólos concomitantemente, com a mesma intensidade e objetivos diferentes.
Nunca disse que eu não era estranha, nunca disse que eu não tinha sido construída como personagem, uma idéia solta entre o chão e o teto, sem tocar nenhum dos dois, gostando de flutuar desse jeito, como quem perdeu um parafuso no transporte. Nunca disse que tinha todos os parafusos.
Particularmente, estou gostando da vida. Dia desses desci uns cadernos da época em que eu não gostava de viver. Que pessoa chata, repetitiva e limitada encontrei ali. Virava as páginas esperando "menina, quando você vai descobrir que isso não é nada? Quando vai descobrir que não precisa ficar presa a essas coisas?" Fechei o caderno, hesitei discretamente e joguei no lixo. Sim, eu joguei o lixo.
Tenho uma dificuldade enorme de jogar coisas no lixo e levar o lixo para longe. Tenho senso histórico. Tudo merece ser guardado, o mundo é uma grande gaveta, um grande museu. No entanto, acreditem, aquilo não tinha valor algum. Nem histórico, nem literário, era um amontoado de lamúrias exatamente igual ao amontoado de lamúrias que encontrei em mais uns quinze cadernos da mesma época. Lamúrias repetidas. Chato, muito chato. Cansativo. Se nem eu, que escrevi aquilo, me interessei em ler, a quem aquilo serviria?
Inútil, completamente inútil. "Aprenda a descartar", dizia a reportagem sobre organização. Outra tarefa difícil, porém, extremamente necessária. Ainda mais neste momento, tendo que me livrar de uma pilha assustadora de cadernos assustadores aos quais me agarrei durante muito tempo. Achava que eles eram parte de mim. Nenhum problema em me jogar fora dessa forma. Prefiro mesmo a reciclagem.
Me divirto, de certa forma, vendo algumas coisas que não veria daquele lugar em que costumava estar quando achava que meus parafusos estavam devidamente parafusados em seus lugares. Não precisam estar. Subo um pouco, sem prestar muita atenção: as acerolas, bolinhas vermelhas enfeitando aquela arvorezinha frágil no meio da varanda. Hoje estão aqui, amanhã, espalham-se no chão. Desperdício.
Me divirto com pouca coisa, ou com nenhuma. Lembrando daquela senhora de 94 anos que mora na Spaan, em Porto Alegre, que me disse, logo que nos conhecemos: "Não leve a vida a sério demais, a vida não foi feita para ser levada a sério. A gente faz o que tem de fazer, tem responsabilidade, ajuda aos outros, mas o mais importante é ser feliz. Brincar, rir, buscar fazer o que a gente gosta e não fazer mal a ninguém". É o segredo, certamente, de sua vivacidade, de seu bom condicionamento físico, de sua ótima saúde, de sua pele firme, sem rugas, de aparentar trinta anos a menos.
Não leve nada a sério. Isso não significa ser irresponsável, não significa deixar de ter credibilidade, é apenas uma forma de garantir maior qualidade de vida. Sem tocar o teto, nem o chão.

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