Wednesday, August 24, 2005

Entre uma louça e outra...

A coisa mais chata é trabalho que não sai do lugar. Lavo a louça hoje, amanhã lá está ela de novo dentro da pia, para ser lavada. Varro a casa hoje, amanhã o pó está todo de volta no chão. Limpo a bandeja dos gatos e amanhã ela já está cheia de novo. É trabalho sem fim e sem retorno.

Mas deve ser só questão de prática, já que eu não reclamo de tomar banho hoje e amanhã ter que tomar de novo, comer hoje e amanhã comer novamente e coisa do gênero. Na verdade nenhum trabalho nesta vida é realmente definitivo (desculpe dizer isso assim, de forma tão brusca), todos os dias temos que fazer e refazer coisas que já foram feitas e, como diria Salomão, não há nada de novo debaixo do sol. Hoje estou assim, em um dia terrivelmente Eclesiastes, porque tudo é vaidade e correr atrás do vento.

Saber disso e mesmo assim ignorar discretamente é o que faz a vida valer a pena. Porque se a gente ficar pensando que tudo é chato e repetitivo, tudo vai ficar ainda mais chato e repetitivo. E o que realmente vale, então? O que realmente vale é olhar essa duplinha que está aqui ao meu lado, por exemplo, vivendo bem feliz e alegremente sua vidinha repetitiva, como se o dia de ontem sequer tivesse existido e o dia de amanhã fosse uma promessa qualquer à qual eles nem se apegam.

Acho que, no final das contas, os gatos têm uma sabedoria nata de como a vida deve ser encarada. Nada é tão ruim que não possa melhorar, ao contrário do que eu pensava há alguns anos. Viver como se o ontem não tivesse existido faz com que as coisas não pareçam repetitivas. Olhar o mundo como se o tivesse vendo pela primeira vez talvez me ajude a encarar algumas coisas sob uma perspectiva mais animadora.

Se o ontem não existiu, então a louça jamais foi lavada (eca), o chão nunca foi varrido, a bandeja dos gatos nunca foi limpa (e eu nunca tomei banho...risos...) !!! Está tudo sendo feito pela primeira vez. O que, sem dúvida nenhuma, torna o trabalho bem menos cansativo.

E sim, eu sou neurótica. A casa não pode apenas estar varrida, ela tem que estar chei-ro-sa. O que torna o trabalho ainda mais cansativo, a menos que ele nunca tenha sido feito e seja feito a cada dia pela primeira vez. Parece confuso? Estou apenas me repetindo. Talvez porque assimilei tão bem o ensinamento dos gatos que esteja achando que nunca disse isso e estou escrevendo pela primeira vez. Pode ser.

Sobre meus sábios amigos felinos, a Ricota está muito bem, quase do tamanho do Tiggy, muuuito mais peluda, com um colar de pêlos, uma juba, ainda mais peluda do que quando chegou lá em casa e bem melhor do que a versão Ferret, quando, lá pelos quatro meses, ela perdeu os pêlos de filhote, ficando com o pêlo curto, magrinha e comprida, como um furão. Agora está mais parecida com um Chow-chow. Espero que um dia ela se pareça com um gato.

O Tiggy está se recuperando de uma pneumonia. Pois é. Nosso loiro carioca musculoso não aguentou o frio úmido de Porto Alegre e ficou dodói. Agora dá para ver a enorme diferença de personalidade dos dois: quando a Ricota adoece, fica insuportável. Mal-humorada, irritadiça, chatinha demais. Ele não, doentinho, fica manhoso até não poder mais. A gente faz carinho e ele se derrete todo, fica todo fofo, com carinha de "cuida de mim". Acho que é um comportamento tipicamente masculino.

Ele está bem melhor, hoje saberemos o resultado do hemograma e ele começa com a penicilina. Mas é estranho vê-lo dormindo o dia inteiro, sem correr atrás dos ratinhos, sem fazer bagunça, sem perseguir a Ricota, derrubar coisas e descobrir novidades, daquele jeitinho dele, como se tudo fosse mágico, como se fosse o máximo, com aquela alegria e aquele olhar esperto, os movimentos rápidos, os olhinhos atentos e o narizinho arrebitado. Nunca vi gato tão inteligente e animado.

Espero que essa pneumonia (que foi confundida com rinite, bronquite e alergia) não tenha nada a ver com a viagem no porão do avião...

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Comentários (o haloscan apaga os comentários após quatro meses e eu já perdi os de alguns posts anteriores, por isso prefiro colar aqui, antes que eles desapareçam)

Oie!!! Também não gosto de lavar louça e ainda bem não faço isso. Adoro varrer...risos...sei lá parece que a gente vê a diferença. Gosto! No mais, hoje estou de folga, milagrosamente, mas já tô sabendo que vou gravar o final de semana todoooooooooooo...risos...
Vem cá, a gente combinou milhares de coisas na Bienal. Eu ia te dar endereço de quê? Você ia me passar creme de quê? Duas loucas que combinaram várias dicas para passar e depois não passaram nada...risos...
Beijos nos gatinhos e no maridão!
Bjinhos procê! Saudades!!! Tammy

Gravatar Menina,acho que tô viciado no seu blog!!!Cheguei nele através do blog da Cláudia Letti e adorei!
Você é leve e principalmente feliz e consegue transmitir isso pelos seus textos...boas vibrações!
E sempre que preciso de algo para descontrair venho aqui...